sexta-feira, maio 26, 2017

25 de Maio - Santa Maria Madalena de Pazzi

Santa Maria Madalena de Pazzi (* Florença, 2 de Abril de 1566 , + 25 de Maio de 1607) foi uma mística monja carmelita católica italiana. Educada piedosamente, desde cedo demonstrou um sentido profundo da presença de Deus, amor ardente à Eucaristia e forte inclinação para o espírito de penitência. Aos dezesseis anos foi admitida entre as monjas carmelitas do Mosteiro de Santa Maria dos Anjos da sua cidade.


A uma intensa vida espiritual aliou a observância dos votos religiosos e levou uma vida escondida de oração e abnegação. Pedia incessantemente pela reforma da Igreja, e dirigiu as suas irmãs no caminho da perfeição.Indizíveis sofrimentos físicos e dura provação espiritual puseram à prova sua paciência.Morreu enriquecida por Deus com graças extraordinárias. O seu corpo encontra-se incorrupto. Foi beatificada pelo Papa Urbano VIII no dia 8 de Maio de 1626 e canonizada pelo Papa Clemente IX a 28 de Abril de 1669. 

Santa Maria Madalena de Pazzi, filha de pais ilustres, modelo perfeito de vida e santidade, nasceu em Florença no ano de 1566.No batismo foi chamada Catarina, nome que no dia para a entrada no convento foi mudado para Maria Madalena.

É uma das eleitas do Senhor, que desde a mais tenra infância dera indícios indubitáveis de futura santidade. Menina ainda, achava maior prazer nas visitas à Igreja ou na leitura da vida dos Santos. Apenas tinha sete anos de idade e já começava a fazer obras de mortificação. Abstinha-se de frutas, tomava só duas refeições por dia, fugia dos divertimentos, para ter mais tempo para ler os santos livros, principalmente os que tratavam da sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo.

Assim se explica o grande amor a Jesus Cristo, que tantas coisas maravilhosas lhe operou na vida. Não tendo ainda a idade exigida, não lhe era permitido receber a sagrada Comunhão. O desejo, entretanto, de receber a Jesus na sagrada Hóstia era-lhe tão grande, que os olhos se enchiam de lágrimas, quando via outras pessoas aproximarem-se da santa mesa.

Com dez anos fez a primeira comunhão foi indescritível alegria que recebeu, pela primeira vez, o Pão dos Anjos. Ela mesma afirmou muitas vezes que o dia da Primeira Comunhão tinha sido o mais belo de sua vida.Logo depois da Primeira Comunhão, se consagrou a Deus, pelo voto de castidade perpétua.

Quando contava doze anos, nos seus exercícios de mortificações, chegou a usar um hábito grosseiro, e dormir no chão, a por uma coroa de espinhos na cabeça e a castigar por muitos modos o seu delicado corpo, manifestando assim o ardente desejo de tornar-se cada vez mais semelhante ao Divino Esposo.

Quando diversos jovens se dirigiram aos pais de Maria, para obter-lhe a mão, ela pode declarar-lhes:"Já escolhi um Esposo mais nobre, mais rico, ao qual serei fiel até a morte".

Vencidas muitas dificuldades, Maria conseguiu entrada no convento das Carmelitas em Florença.Após a vestição, se prostrou aos pés da mestra do noviciado e pediu-lhe que não a poupasse em coisa alguma, e a ajudasse a adquirir a verdadeira humildade.

Tendo recebido o nome de Maria Madalena, tomou a resolução de seguir a grande Penitente no amor a Jesus Cristo e na prática de heróicas virtudes.No dia da Santíssima Trindade fez a profissão religiosa com tanto amor, que durante duas horas ficou arrebatada em êxtase.

Estes arrebatamentos repetiram-se extraordinariamente, e Deus se dignou de dar à sua serva instruções salutares e o conhecimento de coisas futuras.O fogo do divino amor às vezes ardia com tanta veemência que, para aliviá-la, era preciso que lavasse as mãos e o peito com água fria.

Em outras ocasiões, tomava o crucifixo nas mãos e exclamava em voz alta: "Ó amor! Ó amor! Não deixarei nunca de vos amar!" Na festa da Invenção da Santa Cruz percorreu os corredores do convento, gritando com toda a força: " Ó amor! Quão pouco se vos conhece! Ah! Vinde, vinde ó almas e amai a vosso Deus!"

Desejava ter voz de uma força tal, que fosse ouvida até os confins do mundo. 

Só uma coisa queria pregar aos homens: "Amai a Deus!"

Maior sofrimento não lhe podia ser causado, do que dando a notícia de Deus ter sido ofendido.Todos os dias oferecia a Deus orações e penitências, pela conversão dos infiéis e pecadores, e às Irmãs, pedia, que fizessem o mesmo.

Na ânsia de salvar almas, oferecia-se a Deus para sofrer todas as enfermidades, a morte e ainda os sofrimentos do inferno, se isto fosse realizável, sem precisar odiar e amaldiçoar a Deus. 

Em certa ocasião disse: "Se Deus, como a São Tomás de Aquino, me perguntasse qual prêmio desejo como recompensa, eu responderia: 'Nada, a não ser a salvação das almas' ".

Os dias de Carnaval eram para Maria Madalena dias de penitência, de oração e de lágrimas, para aplacar a ira de Deus provocada pelos pecadores.

Para o corpo era de uma dureza implacável; não só o castigava, impondo-lhe o cilício, obrigando-o a vigílias, mas principalmente o sujeitava a um jejum rigorosíssimo; durante vinte e dois anos teve por único alimento pão e água.

Não menos provada foi sua alma ; Deus houve por bem mandar-lhe grandes provações. Durante cinco anos sofreu ininterruptamente os mais rudes ataques de pensamento contra a fé, sem que por isso se tivesse deixado levar pelo desânimo.

Muitas vezes se abraçava coma imagem do crucifixo, implorando a assistência da graça Divina. Nos últimos três anos de vida, sofreu diversas enfermidades.

Deus permitiu que nas dores ficasse privada ainda de consolações espirituais. Impossibilitada de andar era forçada a guardar o leito. Via-se então um fato extraordinário: quando era dado o sinal para a Missa ou Comunhão, ela se levantava, ia ao coro e assistia a Missa toda.

De volta para a cela, caía de novo na prostração e imobilidade.Quando lhe aconselharam abster-se da Comunhão, declarou ser-lhe impossível, sem o conforte deste Sacramento, suportar as dores.

No meio dos sofrimentos, o seu único desejo era: "Sofrer, não morrer".

Ao confessor, que lhe falou da probabilidade de um fim próximo dos sofrimentos, ela respondeu:"Não, meu padre, não desejo ter este consolo, desejo poder sofrer até o fim de minha vida".

Quando os médicos lhe comunicaram a proximidade da morte, Maria Madalena recebeu os sacramentos da Extrema Unção e do Viático com uma fé, que comoveu a todos que estavam presentes.

Como se fosse grande pecadora, pediu a todas as Irmãs perdão de suas faltas. O dia 25 de maio de 1607 libertou-lhe a alma do cárcere do corpo. Deus glorificou-a logo, por um grande milagre. O corpo macerado pelas contínuas penitências, doenças, jejuns e disciplinas, rejuvenesceu, exalava um perfume delicioso, que enchia toda a casa.

Cinqüenta e seis anos depois, em 1663, quando se lhe abriu o túmulo, foi-lhe encontrado o corpo sem o menor sinal de decomposição, percebendo-se ainda o celeste perfume.

Obras literárias

Santa Maria Madalena de Pazzi escreveu vários livros, mas por enquanto ainda não estão traduzidos em português. Os seus princiais escritos principais:

  • Libro dei quaranta giorni (Livro dos quarenta dias)
  • Libro dei colloqui (Livro dos colóquios)
  • Libro delle rivelazioni e intelligenze (Livro das revelações e inteligência)
  • Libro della prova (Livro da provação)
  • Libro del rinnovamento della Chiesa (Livro da renovação da Igreja)
  • Ammaestramenti (Ensinamentos)
  • Avvisi (Avisos)



Relíquia de Santa Maria Madalena de Pazzi 
e Corpo Incorrupto


"Verdadeiramente és admirável, ó Verbo de Deus, no Espírito Santo, fazendo com que ele se infunda de tal modo na alma, que ela se una a Deus, conheça a Deus, e em nada se alegre fora de Deus".

"Ó almas criadas de amor e por amor, porque não amais o Amor?".

"Ó Amor não amado, nem conhecido. Ó Amor, faz com que todas as criaturas te amem, Amor"

"Vem, Espírito Santo. Venha a unidade do Pai e do bem-querer do Verbo. Tu, Espírito da Verdade, és o prêmio dos santos, o refrigério dos corações, a luz das trevas, a riqueza dos pobres, o tesouro dos que amam, a saciedade dos famintos, o alívio dos peregrinos; tu és, enfim, Aquele que contém em si todos os tesouros. Vem, tu que, descendo em Maria, realizaste a encarnação do Verbo, e realiza em nós, pela graça, o que nela realizaste pela graça e pela natureza".

"E parecia-me que a plataforma deste templo foi a elevada mente e o alto entendimento da Virgem Maria. Havia também um altar, e percebi que era a vontade da Virgem. E a toalha do mesmo altar era a sua puríssima virgindade. E o cibório onde Jesus se encontra é o coração da Virgem. E diante do altar vi sete lâmpadas que entendi serem os sete dons do Espírito Santo que igual e perfeitamente se encontravam na Virgem Maria. E sobre o altar encontravam-se doze formosíssimos candelabros que eu percebi serem os doze frutos do Espírito Santo que a Virgem possuía".

Pensamentos:

"A alma que recebe o Sangue divino torna-se bela como se a vestissem preciosamente, e tão brilhante e fulgurante que, se pudéssemos vê-la, seríamos tentados a adorá-la".

"Quando ofereces o precioso Sangue ao Pai celeste, lhe ofereces um dom tão agradável, que ele se reconhece teu devedor".

"O tempo mais apropriado para crescer no amor de Deus é aquele que se segue após a comunhão".

"A alma que recebe a Eucaristia se torna bela, como que revestida de uma veste preciosa, e tão resplandecente, que, se pudéssemos vê-la, ficaríamos tentados a adorá-la"

"Todas as nossas orações não devem ter outra finalidade a não ser alcançar de Deus a graça de seguir em tudo sua santa vontade"

"Com a obediência estou segura de fazer a vontade de Deus, ao passo que não estou segura dedicando-me a qualquer outra ocupação"

"A perfeita obediência exige uma alma sem juízo próprio"

"Felizes os religiosos que, desapegados de tudo por meio da pobreza, podem dizer: 'Senhor, sois a parte da minha herança' (Sl 15,5)"

"Certas pessoas querem o meu Espírito, mas querem-no como lhes agrada, tornam-se assim incapazes de recebê-lo"

"Meu Senhor pensou em criar esta flor, desde toda eternidade por meu amor"

"Sim, Jesus, vós estais louco de amor!"

"Deus remunera as nossas boas obras segundo a pureza de intenção"

"Quando pedimos as graças a Deus, ele não só nos atende, mas de certo modo nos agradece"

"A honra de uma pessoa desejosa de vida espiritual está em ser colocada depois de todas as outras e em ter horror a ser preferida aos outros".

"Os olhos da intenção reta inclinam a si os olhos do agrado divino"

"Para a perfeição importa irmos não andando, mas correndo; não correndo, senão voando"

16 de Maio - São Simão Stock


FLOR DO CARMELO,
VIDEIRA FLORESCENTE,
ESPLENDOR DO CÉU,
VIRGEM FECUNDA
E SINGULAR,
MÃE AFÁVEL,
MÃE SEMPRE VIRGEM,
AOS CARMELITAS SÊDE PROPÍCIA,

Ó ESTRELA DO MAR!


Não são muitas as notícias que temos deste nosso Santo. Sabemos que era inglês, que viveu no séc. XIII, que morreu em Bordéus, e que frequentou a Universidade de Oxford onde se doutorou em Teologia. É venerado na Ordem do Carmo pela sua grande santidade e pela sua admirável devoção à Virgem Maria. A sua festa sempre foi celebrada no dia 16 de Maio, como sendo o dia da sua morte. Pensa-se que era natural do condado de Kent e que, muito jovem, optou por uma vida eremítica, vivendo muitos anos na concavidade de um tronco, por isso lhe chamam Stock, que em inglês quer dizer «tronco».
A partir do ano 1232, os carmelitas visitaram várias vezes a Inglaterra, até que em 1242, fundam lá o seu primeiro convento. Numa destas visitas Simão conheceu os carmelitas e deixou-se cativar por eles, vindo a pedir o hábito da Ordem. Dirigiu-se para a Terra Santa, com os religiosos, tendo vivido no Monte Carmelo.

Quando, em 1242, os carmelitas fundam em Inglaterra, Simão acompanha-os e intervém nas primeiras fundações. Cinco anos mais tarde, a Ordem celebrou o Capítulo Geral em Inglaterra e Frei Simão Stock foi eleito Prior Geral da Europa.

A vinda dos carmelitas para a Europa e a sua rápida extensão atraía a si imensos jovens universitários cativados pelo estilo de vida do Carmo desencadeando-se, ao mesmo tempo, uma onda de ciúme e inveja em muitos sectores da Igreja. Párocos, Reitores e Bispos moveram uma guerra surda aos carmelitas «não deixando construir igrejas e obrigando-os a impostos e serviços graves insuportáveis, que nunca tinham tido no Monte Carmelo ou em outros conventos da Terra Santa».

Em 1251, Frei Simão Stock convocou um Capítulo Geral pedindo a toda a Ordem que rezasse noite e dia pela resolução do problema. Acudiram ao Céu e ao Papa. S. Simão liderava esta campanha rezando com insistência à Mãe do Carmo para que deles se compadecesse. Um dia em que, como tantas vezes, rezava a oração do «Flos Carmeli», apareceu-lhe a Virgem Maria na sua cela e entregou-lhe o Escapulário dizendo que este símbolo era o sinal da sua protecção para com os carmelitas e para quem a partir de então o usasse. Pensa-se que esta aparição se deu na noite de 15 ou 16 de Julho. Era o ano de 1251. 

 13 de Janeiro de 1252, o Papa escreve uma carta aos bispos defendendo os carmelitas. Porém, quatro anos mais tarde, sobrevém novo ataque aos carmelitas e mais perigoso que o primeiro, pois os frades estão divididos: uns querem apenas a vida eremítica tal como se vivia no principio, no Monte do Carmo. Outros, como Frei S. Simão Stock, pretendem uma vida equilibrada e adaptada à Europa: solidão e apostolado, o que exigia a fundação de conventos, não no deserto, mas junto de cidades e universidades. Recorre Frei Simão, Prior Geral, ao Papa que lhe concede razão e protecção. Mais uma vez, em 1264, S. Simão presidiu ao Capítulo Geral em Tolosa, França, vindo a morrer em Bordéus no ano de 1265, onde ainda hoje se guardam os seus restos mortais.

Neste dia de Maio, recordando o amor que S. Simão Stock tinha a Nossa Senhora do Carmo, recordemos a oração que rezava este nosso Santo quando lhe apareceu a Mãe do Céu, da Terra e do Carmo, dando-lhe o Escapulário:

Salve Maria !

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

01 de Fevereiro - Beata Candelária de São José, Fundadora

 

     
Susana Paz Castillo Ramírez, terceira filha de Francisco de Paula Paz Castillo e Maria do Rosário Ramírez, nasceu em Altagracia de Orituco (Estado Guárico, Venezuela), em 11 de agosto de 1863.

Seu pai era um homem reto e honrado, de grande coração e profundamente católico; gozava do apreço e estima de todos os habitantes; possuía conhecimentos de medicina e os empregava para ajudar a muita gente. Sua mãe era uma pessoa piedosa, trabalhadora e honrada.


Os pais deram a seus filhos uma educação tão esmerada quanto lhes permitia as circunstâncias de seu tempo. Sua instrução acadêmica, ainda que escassa e deficiente, própria da época, não foi um impedimento para sua formação integral: frequentou uma escola particular onde deu seus primeiros passos na escrita e no cultivo de sua paixão pela leitura. Aprendeu também corte e costura e vários tipos de trabalhos manuais, especialmente bordados. Este aprendizado foi muito valioso para ela no futuro.


Seu pai morreu em 23 de novembro de 1870, quando Susana contava com 7 anos de idade. Quando sua mãe faleceu, em 24 de dezembro de 1887, Susana, que tinha 24 anos, assumiu as responsabilidades de cuidar da casa. Ao mesmo tempo, praticava a caridade com os doentes e feridos que recolhia e cuidava em uma casa semiabandonada, junto à igreja paroquial, pois no início do século XX a Venezuela viveu uma grande turbulência política, econômica e social como consequência da revolução pela libertação.


Junto com outras jovens de sua vila, com o apoio de um grupo de médicos e do Pe. Sixto Sosa, pároco de Altagracia de Orituco, fundou um hospital para atender a todos os necessitados. Ali, em macas e catres de lona, que ela mesma confeccionava, os atendia.


Com a fundação deste centro de saúde, em 1903, se deu início à família religiosa das Irmãzinhas dos Pobres de Altagracia, atualmente denominada Irmãs Carmelitas de Madre Candelária. Em 13 de setembro de 1906, com autorização do bispo diocesano, Madre Susana fez sua profissão religiosa tomando o nome de Candelária de São José, ela que desde muito jovem era devota de Nossa Senhora da Candelária.


Em 31 de dezembro de 1910 a Congregação das Irmãzinhas dos Pobres de Altagracia nasceu oficialmente com a profissão das primeiras seis Irmãs pelas mãos de Mons. Felipe Neri Sendrea, que confirmou Madre Candelária como Superiora Geral. Em dezembro de 1916 ela emitiu seus votos perpétuos em Ciudad Bolívar.


Após vários acontecimentos, a Beata decidiu abraçar a espiritualidade carmelitana e pediu para entrar na Ordem do Carmo como fundadora das Carmelitas Terceiras Regulares na Venezuela. No dia 25 de março de 1925 o pedido foi aceito e em 10 de julho de 1926, com algumas companheiras, recebeu o hábito carmelitano. Em 9 de agosto de 1926, Mons. Sixto Sosa, Bispo de Cumaná, nomeou-a Superiora Geral e Mestra de Noviças no Noviciado de Porlamar.


Seguiram-se anos de trabalho intenso, também devido aos terremotos que atingiram a Venezuela. Muitas foram as obras fundadas por ela: hospitais e uma escola para crianças pobres em Altagracia de Orituco.


Sua vida transcorreu entre os pobres; se distinguiu por uma profunda humildade, uma inesgotável caridade, uma profunda vida de fé, oração e amor à Igreja. Além de sua esmerada atenção com os enfermos, se preocupou com a educação das crianças, tarefa que deixou como legado às suas filhas carmelitas.


A Madre Candelária era uma religiosa de carácter afável, recolhida, de olhar modesto; após uma conversação cordial e amena com ela, sempre ficava uma suavidade em quantos a ouviam.


Outra característica sua era a alegria; tudo fazia com amor e uma confiança sem limites na Divina Providência. Seus grandes amores foram Jesus Crucificado e a Santíssima Virgem. Percorreu muitos quilômetros em busca de recursos para a manutenção de suas obras e fundando novas comunidades que responderam às necessidades do momento.


Governou a Congregação durante 35 anos, desde sua fundação até o capítulo geral de 1937, quando a sucedeu no cargo a Madre Luísa Teresa Morao.


Os últimos anos da Madre Candelária foram marcados pela dor e pela enfermidade. Entretanto, depois de deixar o cargo de Superiora Geral, aceitou continuar prestando seus serviços à Congregação como Mestra de Noviças.


Tinha plena consciência de sua enfermidade, porém com incrível paciência suportava as dores e dava provas de conformidade com a vontade de Deus. Pedia ao Senhor poder morrer com o nome de Jesus nos lábios, e assim aconteceu. Na madrugada do dia 31 de janeiro de 1940, após pronunciar três vezes o nome de Jesus, entregou sua alma ao Criador, em Cumaná. Foi sepultada no cemitério de Santa Inês. O corpo da Beata foi exumado e colocado na Casa-mãe de Caracas.


Em 22 de março de 1969 iniciou-se na cidade de Caracas seu processo de beatificação e canonização. Foi beatificada em 27 de abril de 2008.


Oração

Ó Deus que vos alegrais em habitar nos corações puros, concedei-nos, por intercessão da beata Candelária de São José, viver, por vossa graça, de tal maneira que mereçamos ter-vos sempre conosco. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


fonte : http://heroinasdacristandade.blogspot.com.br

sexta-feira, janeiro 29, 2016

29 de Janeiro - Beata Arcângela Girlani



Mântua, cidade da Lombardía, beata Arcângela (Leonor) Girlani, virgem da Ordem das Carmelitas, prioresa do convento de Parma e fundadora do cenóbio de Mântua (1495). 
Data de beatificação: em 1 de outubro de 1864 pelo Papa Pío IX. Nasceu em Trino (Monteferrato-Itália) na segunda metade do século XV. Chamou-se Leonor no mundo. 

Seus pais se opunham a que abraçasse a vida religiosa. A célebre Congregação Mantuana, que em inícios estava em todo seu esplendor, fundou um convento de monjas de clausura em Parma e nele, no ano 1477, vestiu o hábito Leonor, mudando seu nome pelo de Arcângela. Por sua virtude e seus dotes naturais, foi eleita prioresa pela mesma comunidade, cargo que aceitou para cumprir a vontade de Deus. 

Foi desde então o refrigério e a consolação de todas as monjas e entre elas a mais humilde e serviçal. As enfermas consolava com carinho maternal e lhes fazia considerações oportunas, animando-as a sofrer com resignação. Quinze anos levava residindo no convento de Parma, santificando-se e santificando a suas religiosas com seu bom exemplo e a heroicidade de suas virtudes, quando os superiores determinaram fazer uma nova fundação de monjas em Mântua e elegeram para pedra fundamental a beata Arcângela. 

Com grande sacrifício obedeceu ao ponto e, habituada aos caminhos do Senhor, em Mântua inicia a mesma vida que seguia em Parma, pelo que cedo os habitantes de Mântua se precataram do bem que Deus lhes havia proporcionado com o convento das carmelitas. As matronas, à porfia, levavam a suas filhas, com o fim de que a Beata Arcângela as instruísse nos caminhos do Senhor. O efeito não se fez esperar, pois sete daquelas jovens tomaram o hábito e sob sua direção, se santificaram no claustro. 

Quando depois de penosa enfermidade se sentiu morrer, reuniu a suas monjas para as exortar e lhes dar à maneira de testamento, seus últimos conselhos. Expirou dizendo: “Jesús, amor meu, tem piedade de mim”. Era 25 de Janeiro de 1495 e foi enterrada no mesmo convento de Mântua. Seu corpo se venera na igreja do Hospital de São Lorenzo de Turim. 

quarta-feira, janeiro 27, 2016

27 de Janeiro - Santo Henrique de Ossó



Nasceu em Vinebre, na Catalunha, Espanha, a 16 de Outubro de 1840 e foi ordenado sacerdote a 21 de Setembro de 1867. O seu sacerdócio, razão da sua vida, foi vivido com uma grande paixão por Cristo e pela Humanidade e marcado por um grande zelo apostólico, e compromisso vida, escrito no seu diário, quando fazia os exercícios espirituais antes da sua 

Ordenação sacerdotal: 

“SEREI SEMPRE DE JESUS, SEU MINISTRO, SEU APÓSTOLO, SEU 
MISSIONÁRIO DE PAZ E DE AMOR”. 

Um espírito de oração contínua e uma intensa atividade apostólica unificaram toda a sua vida e fizeram dele um apóstolo junto das crianças, dos jovens e das famílias, tendo renovado a catequese do seu tempo, sendo hoje padroeiro da Catequese em Espanha, referência e inspirador de movimentos laicais em todo o mundo. Foi professor, escritor, fundador e promotor da pastoral educativa, através da valorização da mulher. Dizia: 


”EDUCAR UMA MULHER É EDUCAR UMA FAMÍLIA”. 

Às suas obras prediletas, a Confraria das filhas de Maria e Santa Teresa, (fundada em 1873), hoje o MTA, e a Companhia de Santa Teresa de Jesus, (nascida em 1876), a congregação das Irmãs Teresianas, dedicou toda a sua força sacerdotal, e toda a sua vida. Para elas viveu, sofreu e se entregou com “Fé viva, Confiança ilimitada, esperança firme e ardente Caridade” como dizia. 

O fundamento do seu sacerdócio foi: 

Um amor: Cristo e Igreja 

Uma palavra: Jesus 

Um desejo: Que todos conheçam e amem a Cristo e o façam conhecido e amado 

Um programa: restaurar todas as coisas em Cristo 

Um ideal de vida: encarnado em Maria e na espiritualidade de Santa Teresa de Jesus, em cuja doutrina saboreou uma profunda experiência de Deus. 

Um lema: “Tudo por Jesus” 

Empenhou-se, pelos seus escritos, fundações e testemunho de vida, em dar a conhecer a todos que Deus os ama, que ninguém fica de fora no reino de Deus, em ser apóstolo e em fazer dos outros testemunhas e missionária da “Boa Notícia” 

As irmãs teresianas, através do Carisma da Educação, herdado de Santo Henrique de Ossó, procuram formar pessoas ao estilo da mística de Teresa de Jesus, com “Cristo na mente e no Coração”, pessoas de Paz, Amor e Verdade construindo nos seus centros comunidades que aprendem oram e educam, educando-se. 

Santo Henrique, nosso Fundador, apóstolo, escritor e fundador e referência sacerdotal para os sacerdotes do nosso tempo, após grandes provações e so¬frimentos, morreu em Gilet (Valência) a 27 de Janeiro de 1896. 

A sua santidade, espiritualidade, e carisma foram reconhecidas, pela Igreja, que o beatificou, em Roma, a 16 de Outubro de 1979, e canonizou em Madrid, em 16 de Junho, de1993, por João Paulo II.  

São deles estes pensamentos: 

* “ser cristão é ser outro Cristo na terra… Pensar como Jesus Cristo, sentir como Jesus Cristo, amar como Jesus Cristo, agir como Jesus Cristo, conver¬sar como Jesus Cristo, falar como Jesus Cristo. Enfim, conformar toda a nossa vida à de Cristo, revestir-nos de Jesus Cristo é a nossa principal ocupação sobre a terra…” 

* “ O mundo feito por homens e mulheres, forjadas na escola de vida de Maria e Teresa de Jesus de terá de ser um mundo de santos, cheio de vida e esperança… 

…mãos à obra que o tempo urge e as circunstâncias chamam…” 


* ” A sociedade perderá a esperança de ser melhor, no dia em que a mulher deixar de ser respeitada” 

* Sós vós que deveis decidir se o mundo há-de ser ou não de Jesus Cristo” 

Celebração do dia de Santo Henrique de Ossó. 

Maria de Fátima Magalhães, STJ 


Leituras e comentários | Agência Ecclesia | 2012-01-20 | 13:01:14 | 4597 Caracteres | Liturgia 

"Tende os sentimentos de Cristo" 

Pensar como Jesus Cristo, sentir como Jesus Cristo, amar como Jesus Cristo, agir como Jesus Cristo, conver­sar como Jesus Cristo, falar como Jesus Cristo. Enfim, conformar toda a nossa vida à de Cristo, revestir-nos de Jesus Cristo! Nisto consiste o único interesse, a ocupação essencial e primária de todo cristão; porque cristão signi­fica alter Christus, outro Cristo. Salvar-se-á aquele que for encontrado conforme à imagem de Cristo. E, para con­formar-nos à vida de Cristo, é necessário antes de tudo estudá-la, conhecê-la, meditá-la. Não porém nos aspectos exteriores, mas penetrando os sentimentos, afetos, dese­jos, intenções de Jesus Cristo, buscando tudo fazer em perfeita união com ele. 

É o próprio Jesus, com sua bondade e palavras, quem nos convida a agir assim. Mas como aprenderemos, por exemplo, sua mansidão e humildade? Como em cada ação nos colocaremos diante de Cristo para imitá-lo, se não co­nhecemos os sentimentos de seu Coração ao realizá-la? Porque Cristo viveu, comeu, dormiu, falou, calou-se, ca­minhou, cansou-se, repousou, suou, padeceu fome, sede, pobreza, numa palavra: trabalhou, sofreu, morreu por nós, pela nossa salvação. Portanto, devemos representar-nos Jesus ao natural e realmente; não de maneira teórica e ide­al, que nos levaria a não amá-lo e a não imitá-lo em tudo, como é nosso dever. Jesus é nosso irmão, carne de nossa carne, sangue de nosso sangue, ossos de nossos ossos. Este é o meu Jesus, Deus e homem verdadeiro, vivo, pessoal, que se fez visível sobre esta terra, que viveu, conversou conosco por trinta e três anos. De fato, Verbo eterno do Pai, por nossa salvação desceu do céu, encarnou-se, sofreu, morreu, ressuscitou, subiu ao céu, permanecendo entre nós, no Santíssimo Sacramento do altar, até a consumação dos séculos, para ser nosso companheiro, conforto, alimento. 

A vida eterna consiste em conhecer sempre mais a Jesus Cristo, nossa única felicidade no tempo e na eternidade. Quão feliz será a alma que aprender cada dia esta lição e a puser em prática! Que suave pensamento: Viverei, come­rei, dormirei, falarei, calarei, trabalharei, padecerei, tudo farei e sofrerei em união com Jesus, conformando-me à divina intenção e aos sentimentos com que Jesus agiu e quer que sejam os meus no agir ou padecer! Aquele que assim proceder — e devemos todos fazê-lo — viverá, na terra, vida de céu; transformar-se-á em Jesus e poderá re­petir com o Apóstolo: já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim. 

Oração 

Ó Deus, que em santo Henrique, presbítero, conciliastes admiravelmente o espírito de contínua oração com uma in­fatigável atividade apostólica, por sua intercessão, concedei-nos perseverar no amor de Cristo e servir a vossa Igreja com o testemunho da palavra e da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. 

[ Da Liturgia das Horas, Próprio da OCD] 

sábado, janeiro 09, 2016

09 Janeiro - Santo André Corsini, Bispo e Confessor (+ Fiésole, 1373)




Nasceu no século XIV, dentro de uma família muito conhecida em Florença: a família Corsini. Nasceu no ano de 1302. Seus pais, Nicolau e Peregrina não podiam ter filhos, mas não desistiam, estavam sempre rezando nesta intenção até que veio esta graça e tiveram um filho. O nome: André.

Os pais fizeram de tudo para bem formá-lo. Com apenas 15 anos, ele dava tanto trabalho e decepções para seus pais que sua mãe chegou a desabafar: “Filho, você é, de fato, aquele lobo que eu sonhava”. Ele ficou assustado, não imaginava o quanto os caminhos errados e a vida de pecado que ele estava levando, ainda tão cedo, decepcionava tanto e feria a sua mãe. Mas a mãe completou o sonho: “Este lobo entrava numa igreja e se transformava em cordeiro”. André guardou aquilo no coração e, sem a mãe saber, no outro dia, ele entrou numa igreja. Aos pés de uma imagem de Nossa Senhora ele orava, orava e a graça aconteceu. Ele retomou seus valores, começou uma caminhada de conversão e falou para o provencial carmelita que queria entrar para a vida religiosa. Não se sabe, ao certo, se foi imediatamente ou fez um caminho vocacional, o fato é que entrou para a vida religiosa na obediência às regras, na vida de oração e penitência. Ele foi crescendo nessa liberdade, que é dom de Deus para o ser humano.

Santo André ia se colocando a serviço dos doentes, dos pobres, nos trabalhos tão simples como os da cozinha. Ele também saía para mendigar para as necessidades de sua comunidade. Passou humilhação, mas sempre centrado em Cristo.

Os santos foram e continuam a ser pessoas que comunicaram Cristo para o mundo. Mas Deus tinha mais para André. Ele ordenou-se padre e como tal continuava nesse testemunho de Cristo até que Nosso Senhor o escolheu para Bispo de Fiesoli. De início, ele não aceitou e fugiu para a Cartuxa de Florença e ficou escondido; ao ponto de as pessoas não saberem onde ele estava e escolher um outro para ser bispo, pela necessidade. Mas um anjo, uma criança apareceu no meio do povo indicando onde ele estava escondido. Apareceu também uma outra criança para ele dizendo-lhe que ele não devia temer, porque Deus estaria com ele e a Virgem Maria estaria presente em todos os momentos. Foi por essa confiança no amor de Deus que ele assumiu o episcopado e foi um santo bispo. Até que em 1373, no dia de Natal, Nossa Senhora apareceu para ele dizendo do seu falecimento que estava próximo. No dia da Epifania do Senhor, ele entrou para o céu.

Santo André Corsini, rogai por nós!

sexta-feira, janeiro 08, 2016

08 de Janeiro - São Pedro Tomás - Patriarca de Mártir da Ordem Carmelita




São Pedro Nasceu por volta do ano 1305 numa aldeia da Aquitânia, França. Os seus pais viviam em pobreza extrema, o que levou Pedro Tomás a abandonar o lar paterno muito cedo para não ser pesado aos seus. Era Pedro Tomás de estatura baixa, mas possuía uma inteligência rara e profunda.

Vivendo de esmolas, conseguiu estudar, tornando-se mestre e professor com apenas 17 anos. Foi convidado para ser professor dos estudantes carmelitas, vindo também ele a entrar na Ordem em 1327. Ensinou várias matérias em muitos conventos da Ordem, até ser nomeado Procurador da Ordem junto à Santa Sé, que então se encontrava em Avignon. Em certa ocasião, vendo o Padre Geral a humilde e pequena aparência do santo, envergonhou-se de apresentá-lo aos Cardeais. No entanto, certo Cardeal, que conhecia a fama de Frei Pedro Tomás, resolveu apresentá-lo.

O Papa fê-lo seu Núncio e Legado, encomendando-lhe muitas e difíceis missões, que Frei Pedro Tomás sempre resolveu bem. Foi arauto e apóstolo incansável da paz e da unidade da Igreja, logo conquistando, em toda a parte, a fama de santo. Depois de ter exercido o cargo de Bispo em várias dioceses, foi nomeado Patriarca de Constantinopla.

Apesar dos altos cargos que exerceu, nas suas viagens, Frei Pedro Tomás procurava sempre, como residência, os conventos dos seus irmãos carmelitas, vivendo como irmão e com os irmãos de Nossa Senhora do Carmo a vida normal da comunidade, segundo a Regra.

Morreu no dia 6 de Janeiro de 1366. Apesar de ser bispo, pediu que o vestissem com o hábito da Ordem. Era muito devoto da Virgem Maria e, um dia, contou a um irmão que Nossa Senhora lhe tinha aparecido, dizendo-lhe que a Ordem do Carmo durará até ao fim dos tempos.

Fontes:

www.ecclesia.pt

http://www.evangelhoquotidiano.org/www/popup-saints.php?language=PT&id=10160&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/www/popup-saints.php?language=PT&id=11676&fd=0
http://www.oremosjuntos.com/Santoral/San_PedroTomas__obispo.jpg


domingo, janeiro 03, 2016

03 de Janeiro - Beato Elias Chavara


 Biografia de Beato Ciríaco Elias Chavara
Vigário-geral, Co-fundador 
da Ordem Carmelita de Maria Imaculada

“Sin otra luz e guía 
sino la que en el corazón ardía”


Se, com ânsias e em amores inflamada, a “noche oscura” em Fr. Juan de la Cruz, foi expressão da vida mística da Fé, a perseverança, segurança e ventura de Beato Elias legou uma ditosa forma de orar e viver a Fé na Igreja Cristã do Oriente.


Beato Elias Chavara foi desde o ventre materno acolhido pelos seus pais piedosos, que o levaram solenemente a batizar, decorridos oito dias, conforme costume, a 18 de fevereiro de 1805 em Kainakary(Índia). 


Na primeira década de vida formou o seu espírito na escola local em Kalari, bebendo o saber linguístico e científico ministrado pelo seu professor hindu. Desde cedo inspirado pela llama “sólo en su Dios arrimada” deu os primeiros passos no caminho do sacerdócio pela mão do pároco da Igreja de São José. 


No ano de 1818, na tenra idade de 13 anos, o mesmo menino Ciríaco ingressou no seminário de Pallipuran, tendo como exemplar superior o reitor Tomás Palackal. O seu vínculo extremoso à vida sacerdotal deu-se em 29 de novembro de 1829, aos 24 anos, tendo subsequentemente celebrado a sua primeira missa na igreja de Chennankari. 


A este homem do senhor, foi-lhe destinado o ministério pastoral, mas amiúde voltava ao seminário para perorar e também assumir as funções de reitor, na ausência de Tomás Palackal. Nesse tempo, juntou-se a este e a Tomás Porukara, que já gizavam a formação de uma congregação. 


Em 1830 recebeu a digníssima missão de ir para Mannanam para lançar a primeira pedra, ato consomado no dia 11 de maio de 1831. 


Ambos os idealizadores da fundação já em união com Deus, Ciríaco assumiu com empenho resoluto a liderança do estabelecimento da congregação. Porquanto, no dia 8 de dezembro de 1855, festa da Imaculada Conceição, celebrou a profissão religiosa juntamente com dez companheiros, consolidando definitivamente a Ordem Carmelita de Maria Imaculada. 
Permaneceu, então, como prior-geral de todos os monastérios da Congregação no período compreendido entre 1856 e o seu passamento. Entrementes, colaborou igualmente na fundação do Instituto das Irmãs da Mãe do Carmelo, em 1866. 


Chegados ao ano de 1861 padeceu a Igreja de Kerala um grande cisma, nesse momento Beato Elias experimentou imensas asperezas, mas agiu sem sonegar a sua fonte que mana e corre e deu espírito aos versos de Frei Juan de la Cruz – Mi alma se ha empleado/ y todo mi caudal en su servicio – na canção “adónde te escondiste”. De tal modo que com espírito vívido foi o porta-voz ativo da resistência às incursões cismáticas dos ritos indianos, mantendo a fidelidade à Igreja de S.Pedro e ao rito latino, afastando o bispo caldeu, de nome Tomás Rokos, que estava destituído de autoridade eclesiástica. 


Por esta dedicação veladora dos ritos cristãos Ciríaco Elias Chavara foi nomeado a partir de 1861 Vigário-Geral da Igreja Sírio-Malabar pelo Arcebispo de Verapolly. Portanto, desde aquele tempo até hoje, é reconhecido pela comunidade católica e pelos mais altos dignatários da Igreja como defensor da Igreja de Cristo, pela sua incansável e árdua luta pelo respeito e fidelidade a Roma, especialmente a sua histórica liderança, tenacidade e eficácia no pleito religioso e infiltração cismática de Tomás Rokos. 


O cisma, embora não tenha prevalecido, deixou lastro de inconvenientes divisões, que persistem até hoje na região. Dado que, após a morte do Beato Ciríaco, um bispo, de nome Mar Elias Mellus, recusando-se a obedecer às normas da Cúria de Roma, formou uma comunidade independente, denominada “melusinos”, cujos seguidores totalizam 5 mil nos dias de hoje. 


Se a Igreja católica possui hoje raízes naquelas comunidades isso deve-se essencialmente à intervenção do Beato. Sem essa fervorasa entrega à Fé Cristã, o catolicismo estaria esmorecido ou até extinto na região. 


Após contrair uma doença fulminante, Ciríaco Elias Chavara entregou santamente a sua alma a Deus, no ano de 1871(com 66 anos), na cidade de koonammavu, próximo de Kochi, em profunda e imaculada solidariedade com a sua Fé. A sua última morada terrena foi a Igreja do Bom Pastor de Kattayam. 


O Papa João Paulo II beatificou-o no dia 8 de fevereiro de 1986, em Kottayan na Índia. Ficou a sua memória litúrgica a celebrar no dia 3 de janeiro. 


A sua espiritualidade permance como indiana, sacerdotal, monacal, carmelita, eucarística, mariana, apostólica, mas kupiakós “homem do senhor” foi essencialmente, e, antes de tudo, um homem de oração.

Marcelo Vieira ( Viana do Castelo)
http://carmojovem.blogspot.com.br

domingo, abril 27, 2014

23 de Abril - Beata Maria Teresa da Cruz - Fundadora das Irmãs Carmelitas de Santa Teresa




Beata Teresa Maria da Cruz, fundadora da Ordem das Irmãs Carmelitas de Santa Teresa, foi conhecida pelo apelido carinhoso de Bettina, dado por seu pai. Nasceu em Florença, a 02 de março de 1846.

Era uma jovem alegre, vivaz, com caráter generoso, gostava de ser admirada e chamar atenção com seus belos olhos azuis e cabelos castanhos encaracolados. Gostava de inventar moda e suas companheiras a acompanhavam, aos 19 anos compreendeu que Jesus a queria para si.

A partir daí, Bettina , deu início a sua transformação. Desapegada de suas vaidades , das ilusões do mundo, decide mudar de vida. Foi muito criticada pelas pessoas, mas isso não a perturbava, o que ela queria era ser toda de Jesus.Passou a dedicar-se aos mais necessitados.

Ela pensou que quando vivia no mundo era só inventar um moda para que as outras moças a imitassem, então, se todas a acompanhavam no mal, também a acompanharão no bem. E de fato, foi isso o que aconteceu. Formou-se um grupo de jovens entregues à oração e às obras de caridade.

Ela não tinha dúvida que Deus a queria para si, mas a dúvida ficou sobre a espiritualidade, pois amava tanto a espiritualidade Franciscana quanto a Teresiana. Como era costume seu, rezou e fez uma novena ao Espírito Santo. E no final venceu Teresa.

Em 15 de julho de 1874 retirou-se com duas amigas numa casinha situada à beira de um rio de Bisêncio, onde começou um vida de oração, penitência e caridade. Neste dia foi a fundação do Instituto e continuaram esta forma de vida por três anos. Até que um dia, surgiu a dúvida se era essa a vontade de Deus.

Em 1877, a resposta veio através de uma mãe, doente, que diz a Bettina que morreria feliz se ela cuidasse de suas crianças e Bettina viu esse pedido como sinal de Deus. E foi a partir desse momento que as mãos postas em oração se abriram para o serviço.

Outra data significativa foi 12 de julho de 1888, quando Bettina e suas outras companheiras tiveram a alegria de vestir o hábito carmelita.

Fonte: www.carmelo.com.br (Ordem Carmelitana Descalça no Brasil)


!8 de Abril - Beata Maria da Encarnação




Bárbara Avrillot nasceu em Paris, no dia 1º de fevereiro de 1566, filha de Nicolau Avrillot, Senhor de Champstreaux, riquíssimo, influente na corte francesa e na vida religiosa por ser um homem muito devoto, assim como sua descendência. 

Como era costume na época, apenas adolescente Bárbara foi enviada às Irmãs Menores da Humildade de Nossa Senhora, que habitavam em Longchamp. Regressou à família aos catorze anos e não pôde optar pela vida religiosa, pois aos dezesseis anos foi entregue como esposa ao Visconde de Villemor, Pedro Acarie, Senhor de Montbrost e de Roncenay, proprietário de muitas terras, muito atuante na política da corte e cuja influência era tão forte quanto à de sua família, homem de costumes irrepreensíveis.

O casal teve seis filhos. “A bela Acarie”, como era conhecida em Paris, iniciou a vida matrimonial e de mãe dando a todos exemplo de como sendo mãe e esposa viver uma vida religiosa e de acordo com os mandamentos de Deus, enfrentando também os deveres na administração do lar, além de colocar a família no caminho da santidade.

Era incansável no auxílio aos necessitados, especialmente durante o assédio de Paris pelo rei Henrique IV, em 1590, durante as guerras religiosas em que se enfrentaram os católicos e os huguenotes, com a intervenção militar dos espanhóis.

Filha devota da Igreja, Madame Acarie participou das ações contra a heresia protestante que procurava se estender na França. Deus a favoreceu com graças místicas extraordinárias, mas também lhe mandou provas exteriores e interiores.

O rei Henrique IV, protestante, após desfazer a Liga Católica à qual seu marido pertencia, mandou-o para o exílio e confiscou todos os seus bens. Foram quatro anos de várias atribulações financeiras e de aflição de espírito. Porém Bárbara não se abateu, tomou a defesa do marido, não se detendo até provar a inocência dele e reaver todos os bens.

Foi com essa fibra que educou os filhos, com generosidade, no respeito e no serviço aos mais pobres, doentes e mais desamparados. Ensinou-os a viver de maneira simples, sóbria, modesta, e no amor à verdade, pois a verdade é Cristo. Ensinou-lhes também o espírito de sacrifício e a força de vontade perante as dificuldades.

Nesse período conheceu o religioso Francisco de Sales, depois também Fundador e Santo, o qual aprovava sua atitude e comportamento, vindo a tornar-se o seu diretor espiritual.
O Edito de Nantes de 13 de abril de 1598 tolera o protestantismo, o que causa muito sofrimento aos Acarie. Como resultado, orações e trabalhos, ela mesma uma leiga, para introduzir a reforma do Carmelo na França, o que lhe foi inspirado após ler os escritos de Santa Teresa d'Ávila. Em 1602 acolheu as primeiras vocações, obteve a autorização do rei, que tinha por ela uma grande consideração, e em 1603 o papa Clemente VIII enviou-lhe sua autorização para a fundação e ela pôde construir o primeiro mosteiro carmelita na França.

Em 29 de agosto de 1604, seis Carmelitas Descalças espanholas, entre as quais a futura Beata Ana de São Bartolomeu e a uma futura Serva de Deus, Ana de Jesus, chegaram a Paris e no dia 17 de outubro do mesmo ano foi iniciada a vida monástica naquela cidade. Iniciando assim uma forte influência na espiritualidade católica de seu tempo, Bárbara Avrillot teve a felicidade de ver a Ordem se expandir para Pontoise, Dijon, Amiens nos anos 1605/1606, e três de suas filhas ingressarem no Carmelo de Amiens.

Em 1613 seu esposo adoeceu gravemente e depois de nove dias morreu na paz do homem justo, assistido pela santa viúva confortada pela confirmação celeste da sua salvação eterna.

Em 7 de abril de 1614, livre de todos os deveres terrenos, Bárbara ingressou no Carmelo de Amiens como conversa, tomando o nome de Maria da Encarnação. Fez seus votos a uma de suas filhas, que se tornara abadessa do mosteiro.

Viveu sua vida de clausura com humildade, trabalhando na cozinha, atendendo as irmãs doentes, sofreu muito com a incompreensão de uma nova priora proveniente de outro Carmelo, teve muitos êxtases e visões que a confortavam nas suas longas doenças e provações. Manteve-se sempre ativa e preparada para discussões sobre o tema da fé e sempre humilde e afetuosa como simples carmelita de sua comunidade. 

Por motivos de saúde, foi transferida para o Carmelo de Pontoise em 7 de dezembro de 1616. Ali, após uma longa enfermidade, entregou a alma a Deus em 18 de abril de 1618, recitando várias vezes os Salmos 21 e 101. Esse dia era uma Quinta-Feira Santa. O seu corpo repousa na capela daquele convento.

Irmã Maria da Encarnação, Madame Acarie, é considerada a "Mãe Fundadora do Carmelo na França" porque mais do que todos contribuiu para a difusão da reforma carmelita de Santa Teresa d'Ávila em solo francês.

O decreto do papa Urbano VIII fez com que a causa de beatificação de Irmã Maria da Encarnação fosse reaberta somente em 1782 e concluída com a cerimônia de beatificação por Pio VI em 5 de junho de 1791.

7 de Abril: Beato Battista Spagnoli




1447 – Nasceu em Mantua (Espanha) – 17/04/1447;
1464 – Profissão de Fé (com 17 anos);
1475 – Doutorado (Universidade de Bolonha) – 28 anos;

1471 – Prior de Parma – 24 anos;
1479 – Prior de Mantua – 32 anos;
1483 – Vigario Geral – Congregação de Mantua – Cargo que desempenhou 5 vezes.
1513 – Prior Geral da Ordem

Ele morreu em Mantua em 20 de Março de 1516.

Foi beatificado pelo papa Leão XIII em 17 de Dezembro de 1885.

Sua festa era celebrada em 20 de Março. Atualmente é em 17 de Abril. 

Destaca-se o seu gênio literário. A “Biblioteca Carmelitana” tem mais de 70 livros de sua autoria. Destas 57 foram publicadas.

Impressionado pela crescente corrupção do clero e do povo, expressou seus desejos reformadores através de seus acertados temas literários, tais como IX égloga Constumbres de La curia romana e com um famoso discurso pronunciado na basílica do vaticano em 1489 diante de Inocêncio VII e dos cardeais.

Algumas das frases, particularmente severas, induziram Lutero a apoiar-se na autoridade do Beato para tomar sua posição contra Igreja.

Alguns protestantes chegaram ate mesmo a alegar que o Beato foi um precursor de Lutero. Mas deve-se notar a grande diferença entre os dois. O Beato trabalha e deseja uma reforma dentro da Igreja, Lutero provoca o Cisma. 

sábado, dezembro 14, 2013

11 de Dezembro - Santa Maria Maravilhas de Jesus


Maria de las Maravilhas Pidaly Chico de Guzmán nasceu em Madri no dia 4 de novembro de 1891, filha de Luís Pidal e Cristina Chico de Guzmán y Muñoz, Marqueses de Pidal. Seu pai exerceu os cargos de ministro de Fomento, embaixador da Espanha junto à Santa Sé e presidente do Conselho de Estado.

Os Marqueses de Pidal eram muito religiosos e esmoleres, rezavam o terço diariamente em família e cumpriam com a maior exatidão seus deveres de estado. Num ambiente familiar assim, Maravilhas sentiu-se desde cedo predisposta à virtude. Além disso, beneficiava-se da boa influência de sua avó materna, Da. Patricia Muñoz Dominguez, piedosa e austera, com quem compartilhava a habitação.

Madre Maravilhas de Jesus afirmará que sentiu o apelo divino para a vida religiosa com o despertar da razão. Aos cinco anos de idade, fez voto de castidade. Diariamente ia com sua avó à santa Missa e, apesar de seu desejo, não pôde fazer a primeira comunhão senão depois dos 10 anos de idade, como era costume na época. Dirá ela a seu diretor espiritual: “O dia de minha primeira comunhão foi felicíssimo. Só falei com o Senhor de meus anelos de que chegasse o dia de poder ser toda sua na vida religiosa”.1

Ardente desejo de consagração a Jesus

Nesse tempo, foi recebida como filha de Maria. A adolescente escreveu na primeira página de seu manual francês, também nesse idioma: “Maravilhas, filha de Maria! Ó Santa Mãe de Deus, obtende-me um coração ardente para desejar a Jesus; um coração puro para recebê-Lo; um coração constante para não O perder jamais”. Em 1913 morre seu pai, e no mês seguinte sua avó materna. Como seus irmãos já se haviam casado, tocava a Maravilhas ficar com a mãe, o que tornava mais difícil para ela a entrada no convento.

Anos depois, indo passar uma temporada com seu irmão e cunhada em Torrelavega, foram até Covadonga, onde Maravilhas suplicou muito à Virgem ali venerada que lhe concedesse a graça de entrar o quanto antes num carmelo. Nossa Senhora a ouviu. Pouco depois, tanto seu diretor espiritual quanto sua mãe concederam-lhe a esperada permissão. Entrou no carmelo deEl Escorial no dia 12 de outubro de 1919. A obediência a fizera esperar até os 27 anos para consagrar-se toda a Jesus!

O Cerro de los Angeles e o novo carmelo

Em junho de 1911 realizou-se em Madri o Congresso Eucarístico Internacional. Como conclusão do mesmo, foi organizado um ato de consagração da Espanha ao Coração de Jesus Sacramentado. Alguns fervorosos católicos tiveram a idéia de erigir um monumento a esse Divino Coração no Cerro de los Angeles, a 14 quilômetros da capital, solenemente inaugurado no dia 30 de maio de 1919, com a presença de toda a família real e ministros, tendo então o jovem rei Alfonso XIII lido o ato de consagração.

No entanto, não havendo boas estradas, o monumento do Cerro foi caindo no esquecimento. Certo dia Nosso Senhor, por meio de inspirações interiores, comunicou à então Irmã Maravilhas seu desejo de que fosse edificado um carmelo naquele local, para velar pelo monumento e se imolar pela Espanha. Também inspirou outra freira do mesmo convento a secundar a Irmã Maravilhas nessa empresa.

Depois de mil e uma dificuldades, as duas religiosas com sua antiga Mestra de Noviças e uma noviça fundaram o carmelo no Cerro de los Angeles. Este depressa prosperou, tendo recebido muitas vocações. A Irmã Maravilhas, apesar de ter feito os votos solenes pouco tempo antes, foi designada Mestra de Noviças, e logo depois priora do novo carmelo.

Enfrentando a revolução comunista de 1936

Era necessário um pulso forte para enfrentar a tormenta que se avizinhava, e que resultou numa das mais cruentas perseguições à Religião de que se tem notícia — a revolução comuno-anarquista de 1936 a 1938, que produziu um número imenso de mártires.

Não coube a Madre Maravilhas e às suas filhas espirituais, embora o desejassem ardentemente, darem a vida pela Fé. Foram expulsas do convento e passaram um ano em Madri, mantendo a vida de comunidade num apartamento, sob constante risco. Até que ela e suas 20 freiras, com alguns leigos que a ela tinham se confiado, conseguiram sair da Espanha para nela reentrar na região não dominada pelos comunistas. Assim surgiu o convento de Batuelas, onde se estabeleceu a comunidade até a liberação do país do jugo vermelho. Então, como havia muitas pretendentes para o carmelo, foi possível voltar ao Cerro de los Angeles deixando uma comunidade em Batuelas.

Madre Maravilhas, que em 1933 já havia enviado religiosas para a ereção de um convento carmelita em Kottayan, na Índia, fundaria ainda mais 10 na Espanha. Enviou também freiras suas para reforçar o carmelo de Ávila, onde tinha vivido Santa Teresa, bem como outro no Equador.


Fidelidade heróica ao espírito de Santa Teresa

Pela Constituição Sponsa Christi, Pio XII propunha aos religiosos a formação de federações de mosteiros com noviciados comuns, madres federais e religiosos para as assessorar. Isso trazia como conseqüência reuniões, visitas dos dirigentes da federação etc., o que alterava muito a vida de um convento de contemplativas como são as carmelitas. E não se coadunava com o que Santa Teresa estipulara para seus carmelos, que deveriam ser comunidades autônomas e estáveis, com número limitado de monjas, clausura estrita etc.


Madre Maravilhas, que não desejava nenhuma alteração naquilo que Santa Teresa legara, fez o possível para evitar modificações que alterassem a vontade da grande reformadora do Carmelo. Consultou o Geral da Ordem do Carmo, o Pe. Silvério de Santa Teresa, a quem já conhecia e com quem tratara por ocasião da fundação do carmelo de Cerro de los Angeles. Dirigiu-se mesmo ao Secretário da Congregação dos Religiosos, o espanhol Pe. Arcádio Larraona. Os dois concordaram com o ponto de vista da Madre. Mobilizou ela todos os contatos que mantivera, tanto no campo civil quanto no eclesiástico, em favor de sua aspiração.


Para ela, tratava-se de uma verdadeira batalha, para a qual tinha que usar todos os recursos da piedade, mas também da argúcia, da tenacidade e da sua extraordinária vitalidade.


Tenaz defensora da Ordem carmelitana

A todo momento lemos em sua correspondência da época as palavras:"milagre, salvar a Ordem", e outras que externam suas profundas preocupações, bem como sua sensação de que se entrava em difíeis tempos.

Assim, quando o embaixador da Espanha junto à Santa Sé, Fernando Castiella, comunicou-lhe boas notícias a respeito do andamento de suas gestões no Vaticano, escreveu à priora do Cerro em 5 de junho de 1954: “Isto foi um milagre verdadeiro. A Santíssima Virgem quis salvar sua Ordem”.2Em outra carta à mesma, três meses mais tarde, afirmava: “A Santíssima Virgem, em seu Ano Mariano [1954], vai nos salvar”. A essa Madre, ela já afirmara pouco antes: “Minha Madre! Quanto temos que pedir à Santa Madre Teresa que livre sua Ordem! A Santíssima Virgem no-lo concederá”.3


A Frei Victor de Jesus Maria, O.C.D., canonista e Definidor Geral da Ordem, escreveu ela em 4 de julho de 1956: “Já sei que V. Revma. não nos esquecerá e pedirá muitíssimo para que não permita o Senhor que a Ordem de sua Mãe seja tocada em nada. Já não nos resta mais que a oração, mas realmente é a arma mais poderosa”.4


Resistindo aos ventos dos novos tempos

A questão arrasta-se, sobretudo com o início do Concílio Vaticano II. Em carta escrita em abril de 1967 ao Preposto Geral da Ordem, Frei Miguel Ângelo de São José, diz ela: “A eleição de V. Revma. nos encheu de alegria, e vimos como Nossa Mãe Santíssima vela por sua Ordem, pondo-a em suas mãos nestes tão difíceis e delicados momentos”.5

No dia de São Miguel, 29 de setembro de 1967, volta a escrever ao mesmo:“Faça tudo quanto seja necessário para salvar a ‘Ordem da Virgem’ nestes tão difíceis tempos. Com a ajuda de Cristo, nosso Bem, e de sua Mãe Santíssima, não podemos duvidar de que assim será”.


O tempo foi passando, e um dos decretos do Vaticano II, o Perfectae Caritatis, voltou com a proposta de Pio XII, recomendando às religiosas contemplativas a formação de federações, uniões ou associações, como um meio de ajuda mútua entre os mosteiros. Madre Maravilhas vê no número 22 do decreto a saída que buscava. Recomenda esse item que “os Institutos e Mosteiros autônomos promovam entre si [...] uniões, se têm iguais constituições e costumes e estão animados do mesmo espírito, principalmente se são demasiado pequenos”.6Discernia ela aí uma saída: fundar uma união de carmelos (dos por ela fundados e mais alguns que pediram sua admissão) sem ter que alterar em nada a vida desses mosteiros. A finalidade de tal associação era a de que esses carmelos pudessem ajudar-se com facilidade, espiritual e economicamente, e até com o pessoal necessário, sem saídas nem entradas, sem visitas nem visitadoras etc.7


Realização do desejo de “não mudar nada”

Depois de muitas dificuldades, tensões e argúcias da Madre, finalmente Roma aprovou essa união em 14 de dezembro de 1972, com o nome de Associação de Santa Teresa, sendo Madre Maravilhas eleita sua presidente por unanimidade, em 12 de março de 1973.

Numa carta enviada a Madre Luísa do Espírito Santo, priora de Arenas, em 22 de março desse mesmo ano, mostra Madre Maravilhas seu contentamento ao mesmo tempo em que indiretamente aponta as principais conquistas: “Como vêem, já nos concedeu o Senhor esta graça que lhe vínhamos pedindo, se essa fosse sua vontade, e já temos aprovada a nossa Associação de Santa Teresa na Espanha. Foi como um milagre que o Senhor tenha feito que a aprovassem tal como a havíamos pedido. Para nossos conventinhos tudo isso não supõe nenhuma novidade, pois o vínhamos vivendo, com a ajuda do Senhor, desde há tantos anos; mas é muito que o Senhor, pondo em nossa maneira de viver o selo e a aprovação da Igreja, parece dizer-nos, pelo caminho mais seguro, que está contente com isso e que aprova nossos desejos de não mudar nada, e que sigamos adiante pelos mesmos caminhos que nossa Santa Madre nos traçou. [...] De vários conventos nos pedem para entrar em nossa união, mas por agora nos parece que não convém aumentar o número”.8


Madre Maravilhas de Jesus morreu em 11 de dezembro de 1974, sendo beatificada por João Paulo II em 1998, e por ele canonizada em 3 de maio de 2003.

Seus Pensamentos 

Aprenda no coração de sua Mãe como se ama a Jesus.

Sem humildade não pode haver virtude alguma. 

Não deixe de pedir sempre à nossa Mãe dulcíssima que faça de ti o que Ela quiser.

Não deixe de pedir sempre à nossa Mãe dulcíssima que faça de ti o que Ela quiser.

Aprenda no Coração de Maria como amar a Jesus. 

Que consolação é viver de fé neste mundo e, nos braços da fé , morrer.

Que bom deve ser sofrer, quando Quem prova é Aquele que tanto fez para que sejamos eternamente felizes. 

O melhor da vida é poder sofrer com Jesus e por Jesus.

Na solidão fala Deus ao coração!

O fruto do sofrimento é estar cada dia mais perto de Deus.

Esta vida tão curta temos que aproveitar com alegria oferecendo, com gozo tudo o que suceder pois tudo o que acontece é para fazer-nos crescer no amor.
Fonte : http://santosesantasdedeus.blogspot.com.br